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Dica de filme: A Indomável Sonhadora

Esse filme, dirigido por Behn Zeitlin, recentemente recebeu quatro indicações ao Oscar entre elas a de melhor atriz para a menina protagonista Quvenzhané Wallis.

Bem, só pela atuação dessa atriz que com cinco anos de idade foi capaz de nos embasbacar e hipnotizar nas telas, já vale assistir este filme. Mas, além disso, é um excelente filme tanto em termos de roteiro, direção, fotografia e força de argumento. Vale um alerta: o filme é muito FORTE! As imagens são nuas e cruas e tratam de uma realidade que existe aqui e ali bem a nossa volta, em todos os continentes, mas que insistimos em não ver. Confesso que fui ver sozinha e que fechei os olhos em alguns instantes por não suportar a repugnância provocada por certas imagens. A força da mensagem trazida sempre pelo olhar imenso e profundo de uma criança intensifica o impacto e gera um misto de perplexidade, tristeza, impotência, indignação e comoção.

Na prática sentimos como um soco lento e demorado, de uma mão gigante e robusta, bem ali na boca do estômago. Então, vem uma náusea e uma reflexão natural e automática que leva a muitas perguntas: que tipo de mundo nós criamos para nós mesmos?! Em que momento nós perdemos o controle que acreditávamos que tínhamos?!! Será que estamos percebendo a que ponto chegou a arrogância humana?! Será que ainda temos solução?!!

Qual é o sentido da vida?! Quem somos nós verdadeiramente??!!! E para onde estamos indo?!!!

Vemos neste filme, ao mesmo tempo, a ligação sublime de amor, de fidelidade entre uma filha e um pai em meio às manifestações dos instintos mais primitivos e bárbaros que o ser humano pode revelar a serviço da sobrevivência de um espectro de vida, mesmo que completamente bestializado.

A luta por manter-se de pé e em condições de liberdade com uma identidade mesmo que seja a de bestas humanas mas livres do sistema capitalista, paira no ar durante todo o filme. O que nos faz questionar-nos mais uma vez: o que significa ser livre? Somos livres de verdade ou somos escravos manipulados e utilizados de forma suja e deslavada pelo sistema econômico capitalista? E se isso é verdade, até quando vamos aceitar isso e manter vivo esse sistema que, em síntese, está nos matando?

O filme é uma metáfora para a situação atual do planeta Terra e da humanidade, nós todos. Esta metáfora pode ser sintetizada nas palavras que se repetem com a voz da menina protagonista, ao longo do filme e que dizem mais ou menos o seguinte: somos todos um sistema e cada parte é importante para manter o seu equilíbrio perfeito. Basta que apenas uma parte do sistema deixe de funcionar para que todo o sistema se desequilibre e coloque em risco a vida de todos.

Prepare-se e assista esse filme como um tema de casa importante e necessário para o DESPERTAR DE NOSSAS CONSCIÊNCIAS! Nós devemos isso a nós mesmos e as novas gerações!

Um abraço, Ingrid