ADOLESCÊNCIA DÓI?

Será que a adolescência dói? Fico me perguntando, dia após dia, ao ver, ouvir e rever tantos acontecimentos impressionantes envolvendo os jovens adolescentes, de qualquer cidade e de qualquer classe social. Se dói ser adolescente, onde e como dói? Se dói ser pai e mãe de adolescente, onde e como dói? Será que a  sociedade, em geral, sente medo dessa dor? Como ela está sentindo essa dor?

Dor é sintoma de que algo está acontecendo…Dor é sinal de fumaça, onde há fumaça há fogo. Seja dor física, dor emocional, dor de alma, sempre há implícito um sintoma, um sinal, um pedido de ajuda, de socorro!

Se você visse agora, um vídeo de um adolescente pedindo “Mãe, aproveita o filho, fica com o filho, brinca, conversa, troca ideias, ouve música, comenta um filme, um livro, um sentimento!”, será que você se sentiria tão tocada como ouvindo aquele menino pequeno que diz no vídeo que publiquei, recentemente, “Aproveita o filho, mamãe!”

Sim ou não? Seja sincero/sincera!! Porque a voz dos adolescentes não é ouvida? Será porque eles falam para dentro, muitas vezes? Será porque eles se expressam muito mais por olhares, gestos, expressões sutis, isolamento, silêncios duradouros, alterações bruscas de humor, demoras excessivas em suas saídas para o mundo externo (baladas, festinhas, casa de “amigos”…), desmotivação para a vida, alterações no apetite e/ou no padrão de sono? Pois é, adolescentes se comunicam sim, mas de forma um pouco diferente das crianças que costumam ser mais francas e diretas, explícitas, a não ser em casos de abusos/violências graves. Comunicação é fundamental para as relações humanas e significa, na origem da palavra, tomar a ação de tornar comum algo, um fato, um sentimento, uma informação. Mas, para que aconteça a verdadeira comunicação, torna-se essencial a atenção concentrada e focada naquele que está falando ou se comunicando de outras formas incluindo a telepatia ( comunicação de mente para mente). A atenção, o interesse genuíno e a tão falada e banalizada empatia são condições para se construir vínculos afetivos fortes e duradouros dos pais com os filhos! Sem esse vínculo não adianta chamar o filho para conversar nem perguntar como ele está, de verdade pois a resposta será lacônica, superficial como o vínculo. Assim, as relações entre pais e filhos tem se tornado praticamente inexistentes e tentar alcançá-los somente nos momentos difíceis de conflito e de estresse será como “tentar fisgar um peixe sem linha nem anzol”. Criar e educar, formar filhos saudáveis não é tarefa fácil, de jeito nenhum. No entanto, trata-se de uma escolha, mesmo que inconsciente ou semiconsciente na maioria dos casos, ainda assim é uma escolha. Foi mediante o uso do livre arbítrio que todos os pais tiveram os seus filhos, guardadas aqui, algumas exceções. De qualquer modo, mesmo em circunstâncias adversas, filhos trazem em si uma oportunidade ímpar do ponto de vista espiritual, para a evolução das almas de seus pais. Se você não tem esse olhar, esse entendimento mais, digamos espiritual, eu sugiro que busque-o para que sua existência ganhe em significado bem como a sua paternidade e maternidade!

Não existe missão mais sagrada e suprema do que acolher um filho/uma filha e assumir integralmente sua criação e desenvolvimento. Nossa sociedade humana, precisa evoluir no sentido entender isso em sua profundidade e de compreender que, se na infância se edificam os fundamentos de um indivíduo integralmente saudável, na adolescência se constroem as bases desse indivíduo, sobre as quais serão assimilados e solidificados os valores éticos e morais fundamentais para toda uma vida.

Pense nisso, reflita muitas vezes, busque ajuda, pesquise, compartilhe seus medos e dúvidas mas não abdique de sua sagrada missão maternal/paternal!!!

Um abraço afetuoso desejando imensa Luz na caminhada!

Ingrid