AS NOVAS GERAÇÕES ÍNDIGOS, CRISTAIS, X, Y OU Z

Referir-se às novas gerações nomeando-as por letras do alfabeto tem sido recorrente na atualidade. Alguns observadores e estudiosos levam em conta, preferencialmente, aspectos sociológicos para tais nomeações. Entretanto, já vimos outras nomeações por parte de antropólogos, de psicopedagogos e psicólogos bem como por metafísicos entre outros cientistas.

 

Como eu sou Psicóloga, Especialista em Psicologia Transpessoal e Especialista e Mestre em Administração, falo sobre o tema a partir da visão que minha formação me possibilita, mas procurando manter o espírito científico, no sentido de estar sempre aberta e disposta a ampliar e incluir, mais e mais questionamentos, informações e conhecimento sobre o mesmo. Daí, penso ser importante situar para os leitores, em geral, a partir de que área do conhecimento nós estamos falando, sobre o tema Novas Gerações.

 

Recentemente, a Revista Cláudia, publicou artigo falando que a Geração Z é assim denominada porque “zapeia” e troca de opinião tal como troca de canal de TV. É verdade que essa geração, que preferimos chamar de Índigo e Cristal, realmente vem capacitada em seu DNA para lidar com intimidade total com a tecnologia digital, a ponto de serem chamados de nativos digitais. Mas, não me parece apropriado caracterizá-los como jovens que mudam de opinião assim tão rapidamente, o que pode causar uma impressão equivocada de que são seres humanos superficiais, fúteis, que não sabem o que querem e que caminham a esmo. Isso não é verdade. Em nossa experiência e observação, esses jovens sabem muito bem o que eles não querem, o que não suportam e não devem mesmo suportar como a falsidade, a falta de transparência, a manipulação, a energia de controle, o autoritarismo e, principalmente, a falta de amor e de diálogo.

 

E, sabendo bem o que eles não querem, eles também carregam com eles uma profunda noção de ter um propósito, uma missão nesta existência. E, intimamente, sabem que são importantes e merecem ser respeitados por isso. Eles trazem, ainda, em seu DNA uma espiritualidade muito desenvolvida. Isso quer dizer que eles possuem uma noção clara e profunda de que todos nós somos Um com os outros, com o Universo e de que existe uma Força Maior que a tudo vê e a tudo criou e que, portanto, à essa Força Maior, nós devemos respeito. Por isso, eles não suportam ser humilhados e constrangidos com exigências e imposições ilógicas e descabidas seja de seus pais, ou seja, do sistema educacional e institucional que inclui o mundo corporativo. Eles não suportam ser forçados a encaixar-se num sistema e metodologia de educação, totalmente arcaicos que só fazem querer sufocá-los e impedir que desenvolvam e dêem asas a sua imensa criatividade. Por serem altamente sensíveis, amorosos e generosos eles sofrem terrivelmente de uma dor que dói na alma, como eles mesmos referem. E assim, podem entrar em depressão profunda dependendo de sua personalidade e da intensidade e constância com que são submetidos a pressão e as condições sufocantes. Tais condições incluem regras, hierarquia e burocracia excessivas associadas a carência de afeto e de comunicação efetiva e humana. Aliada a tais condições soma-se a distância da natureza que para essas gerações é verdadeiramente insuportável.

 

Eles são altamente conectados e naturalmente se relacionam com o mundo, sendo de fato multiculturais e multissensoriais. Daí, que eles não suportam preconceitos nem barreiras e dogmas de qualquer origem que impeçam a conectividade e o compartilhamento de informações, ideias, de forma totalmente transparente. Não é a toa que eles vêm criando coisas incríveis como as redes sociais e as empresas colaborativas, orgânicas e fluídas e que assim, certamente, já estão rompendo com o paradigma de uma economia predominantemente competitiva e destrutiva e conduzindo-nos, a passos largos, a uma nova economia baseada na cooperação e na relação ganha-ganha. É a chamada Economia do Bem ou Capitalismo Natural. Eles, a Geração Índigo-Cristal ou Y-Z se assim o quiserem, são multilaterais e, por isso, são capazes de fazer quatro ou cinco coisas ao mesmo tempo e bem feitas, sim! E isso não é uma aberração, não é um problema ou patologia e, nem mesmo, algo que resulta exclusivamente da influencia de uma sociedade e cultura moderna com excesso de estímulos tecnológicos e de informações, não! É que eles já nascem assim, com um chip instalado ou, melhor dizendo, nascem com um DNA mais ativado que não lhes dá outra opção que não essa de funcionar assim: lendo, ouvindo música, falando ao celular e participando de uma aula ou respondendo a pergunta dos pais. Quando falamos em um DNA mais ativado significa simplesmente evolução humana! Nós estamos continuamente evoluindo, aliás, nunca deixamos de caminhar nesta direção, o que se torna gritante agora é que temos uma enorme massa crítica sendo formada por jovens e crianças que são diferentes. São eles que não nos deixam mais ignorar ou negar a realidade: o ser humano evolui a cada dia e está mesmo muito diferente. E, precisamos reconhecer essas transformações, pois elas não param por aqui. Temos de nos preparar para entender mais e melhor e para acolher essas novas gerações com a mente e coração abertos e para ajudá-los criando pontes e não reforçando as barreiras já existentes.

Um dos especialistas consultados na matéria da referida revista, disse que estes jovens são consumistas e muito preocupados com a aparência! Bem, aqui é preciso discernir que essa não é exatamente uma característica destes jovens, o que passa é que eles refletem muito o modelo social em que vivem e já que trazem como missão promover uma transformação desse meio, como o fazem? Sendo espelhos com alta capacidade de potencializar os reflexos dos comportamentos de seus pais e da sociedade onde estão inseridos. Então, precisamos entender, esses jovens refletem esse comportamento do seu meio social para permitir que haja uma reflexão mais profunda sobre tal Normose e, quem sabe, uma decisão de mudança por meio da expansão de consciência e de comportamentos mais equilibrados e sustentáveis. Mas, ao mesmo tempo, esses mesmos jovens confrontam seus pais e a sociedade declarando que desejam sim, viver melhor. Eles querem viver com mais qualidade de vida, querem ter acesso e usufruir dos bens de qualidade produzidos por essa sociedade, agora já. Eles não querem ter que trabalhar toda uma vida abrindo mão de valores como saúde, família, tempo de lazer e diversão para, só então, se não tiverem morrido em consequência do estresse e suas complicações (AVC, Infarto, Câncer…) poderem ter algum tipo de “recompensa”. Eu não vejo isso como consumismo e sim como um comportamento diferente das gerações que lhe antecederam, diferente no sentido de dizer não a hipocrisia e de querer dar um basta nesta vida maluca que a maioria das pessoas em nossa sociedade leva sem questionar. Esses jovens vivem o presente, o agora que é o único tempo que realmente existe. E, eles sabem muito bem disso. Será que eles estão errados?!

Sua velocidade de pensamento e de ação nos confronta com nossa inércia e com nossa lentidão no sentido de realizar aquilo que pensamos e sonhamos, no aqui e agora, sem mais delongas, o que não só é possível como é desejável e urgente! Eles realmente precisam de nossa ajuda para decifrar códigos e aprender a viver aqui na Terra, nessa sociedade de forma equilibrada. Eles precisam de ajuda para calibrar sua alta quantidade e qualidade de energia e seus incríveis dons e talentos para que possam aplicá-los de forma saudável pelo bem deles e de todos nós assim como das próximas gerações. Mas, do que eles realmente mais precisam é ser ouvidos pois eles trazem muito conhecimento, talentos impressionantes e sabedoria para doar-nos. Eles são os rompedores de sistemas, os catalisadores das mudanças necessárias e urgentes, eles são os pacificadores, os indicadores de um caminho a ser trilhado na direção da co-criação de uma nova realidade mais evoluída para todos nós e que nos garanta a tão ameaçada sobrevivência de nossa espécie e de nosso planeta.

Ingrid Cañete

Setembro 2011