CUIDADOS QUE DEVEMOS TER COM AS CRIANÇAS ÍNDIGO, CRISTAL E COM A INFÂNCIA

Nesses anos todos de estudo e prática como terapeuta, psicóloga, escritora e professora universitária já escutei centenas de histórias e confidências de pais e também de filhos, de crianças, como vocês leitores podem imaginar.

Ao longo dessa minha caminhada, constatei que algumas questões que, muitas vezes, parecem pequenas e menos importantes ou até insignificantes aos pais, podem ser, e de fato são, cruciais e profundamente marcantes para as crianças. Além disso, essas questões consideradas “menores” e  ignoradas ou mesmo negligenciadas pelos pais e pelos adultos que  se responsabilizam pelo cuidado das crianças, podem ser fatais tanto no sentido literal quanto no sentido metafórico. Como exemplo, vamos chamar a atenção para o fato que, infelizmente, se tornou bastante frequente e comum entre nós, tanto nas cidades como no interior: trata-se do “costume” de deixar uma criança sozinha em casa ou no apartamento ou deixar várias crianças sob os “cuidados” da criança mais velha. É espantosa a naturalidade com que pais e adultos relatam deixar as crianças sozinhas em casa ou enviá-las para a escola sozinhas, caminhando por longos trajetos ou ainda com que deixam essas crianças na entrada do prédio de um médico, dentista ou qualquer outro atendimento onde terão que subir num elevador e circular entre muitas pessoas estranhas, num mundo assustador e cheio de novos riscos para os quais a pureza, a ingenuidade, a imaturidade e a vulnerabilidade de uma criança fazem dela um alvo ou uma vítima fácil. As condutas citadas independem de classe social e nível de instrução, elas simplesmente acontecem de forma generalizada. Seja por ignorância no sentido desconhecimento ou seja por imaturidade dos pais e adultos ou seja por negligência em relação aos menores, o fato é que esses descuidos e desrespeito a infância foi incorporado a nossa cultura e parece que até se banalizou sendo parte da chamada NORMOSE, DOENÇA GRAVE QUE ACOMETE NOSSA SOCIEDADE DE FORMA GENERALIZADA. A NORMOSE significa que chegou-se como coletivo “humano” a um alto grau de alienação onde somos levados pelo “efeito grupo ou efeito manada” fazendo o que fazemos porque “os outros também fazem” sem passar nossos atos pelo filtro da consciência e assim, sem se questionar se está certo, se será adequado, ético, humano, cabível agir dessa ou daquela forma. Assim, sem querer me alongar, desejo ir direto ao ponto: pais e adultos saibam que crianças não podem ficar sozinhas em casa e crianças não podem e não devem ser encarregadas de cuidar de outras crianças!!! Porquê? Simplesmente porque crianças são crianças e não tem preparo nem maturidade para lidar com riscos e imprevistos que se multiplicam em nossa vida dita moderna!! Há poucos dias um menino de uns 8 anos de idade que estava sozinho num apartamento da mega cidade de São Paulo, quase morreu num incêndio que atingiu o apartamento onde estava. Não fosse o porteiro do prédio, que era testemunha de que o menino era costumeiramente deixado sozinho, lembrar-se disso e subir correndo salvando em meio a fumaça e as chamas, esse menino não estaria mais entre nós. Esse é apenas um entre milhares de exemplos que diariamente poderemos encontrar nas manchetes dos jornais sem contar aquelas histórias que nem chegam as manchetes.

Esse ano ainda, uma menina de uns 7 anos de idade que caminhava diariamente, cerca de 4 km para chegar a sua escola, em Caxias do Sul, desapareceu e alguns dias depois foi encontrada morta. Havia sido violentada e morta. Uma criança de 8 anos me relatou ter sido deixada dormindo em casa, enquanto os pais saíram para resolver algo na rua e se demoraram talvez por umas 2 horas ou mais. Ao acordar e constatar que estava sozinha essa criança chorou e chorou e se desesperou e fantasiou que tinha sido abandonada e quase foi engolida por sua tristeza, dor e sensação de abandono. Anos depois, ela ainda guarda essa memória bem viva e, devido a alta sensibilidade dela e dessas crianças Índigo e Cristal das novas gerações, ela segue tendo de lidar com seu trauma e com as marcas deixadas necessitando de ajuda terapêutica. Imagine a quantidade de eventos que podem ocorrer numa casa e que uma criança sozinha não poderia lidar seja por falta de força e estrutura física ou seja por falta de experiência e maturidade para discernir e agir ou seja pelas duas razões juntas! Sem contar que como as crianças estão em desenvolvimento e formação, elas sofrem profundamente por sensação de solidão, tristeza, desânimo, distúrbios do sono e alimentares, falta de concentração e de motivação, falta de energia, irritabilidade, agressividade sem ter a estrutura interna psíquica para lidar com todos esses sentimentos e emoções, sensações. Muitas delas, sentem-se como náufragos abandonados a sua sorte no meio de um oceano numa noite escura de tempestade, para usar uma analogia cabível. Tais experiências vividas na infância, costumam voltar potencializadas na adolescência. Daí, muitos pais desesperados buscam ajuda e pedem socorro pois temem o pior. Não é a toa que vivemos uma onda de aumento assustador de suicídios e tentativas de suicídios entre crianças e adolescentes. As gerações Índigo e Cristal com suas características tão específicas e particulares de sensibilidade elevada, ausência de medo em relação a morte e conexão com outras dimensões, são facilmente assediadas por influências negativas reais ou fantasiosas, quando negligenciadas em suas reais necessidades de atenção de Amor e cuidados. Não se trata aqui de incentivar uma atitude superprotetora dos pais e adultos o que também não contribui para o saudável desenvolvimento e evolução das crianças. Estamos falando de tomar consciência de que as responsabilidades dadas às crianças devem ser proporcionais a idade e grau de maturidade e a personalidade de cada uma e devem, sempre ser acompanhadas de perto pelos adultos ou responsáveis.

Dizer a uma criança de 5 anos que passe por uma roleta identificadora e depois pegue o elevador de um prédio de 20 andares para chegar a sua terapia ou ao seu dentista e ir embora, é um crime contra a infância sim, trata-se de abandono e negligência colocando essa criança em situação de risco. Pois, assim como pode dar tudo certo com a ajuda providencial dos anjos e guias, também pode dar tudo errado. O elevador pode emperrar e a criança estar sozinha nele sem saber o que fazer, um sequestrador ou abusador pode usar de estratégias e atrair essa criança para sua teia de criminoso, entre várias outras possibilidades e riscos. Então, amar as crianças significa cuidar e proteger a infância! Se no mínimo tratarmos de ler, reler e estudar o Estatuto da Criança e do Adolescente para fazer valer e exigir sua aplicação já seria um importante passo. Mas, além disso precisamos com urgência que os pais e adultos tomem consciência do que significa ser criança e dos riscos relativos a cada fase da infância e dos cuidados que temos o dever de considerar e de adotar em todas as situações.

Pense nisso, reflita, divulgue e ajude a ampliar a rede de cuidados e de proteção das crianças!!!

QUEM AMA CUIDA!!!

Ingrid