BIBLIOTECA / POESIAS

Eles, os Índios

Eles não passam pois são anjos
Eles voam assim na minha cabeça
No meu jardim
Eles não passam jamais
pois habitam em mim
Eles sassaricam em tudo
ao redor assim
Eles vicejam longe
algo inusitado e inatingível
são como seres-alma
encenando vozes e sons do além
eles tem cor de terra, de pedra
e de lua brotando ao norte
cheiram igual ao verde
e a uma vida forte
são meus amigos índios
irmãos da sorte
que a humanidade insiste
em ignorar
eles não passam nunca
são a nossa fonte
origem e cor
pássaros de azul prateado
brilhando um véu
roçam alturas e rugas
de um outro céu
que nunca será visível
ao homem mau
eles não passam mais
pela avenida
que esquenta e queima
com seu negro asfalto
corta as veias feitas
de nossa terra
congela os rios que correm
nos vasos, outrora, humanos
eles não passam,
não passarão
são nossa alma-estrela
cosmogenia atômica.
Índios são nosso horizonte
de evolução
é neles que habita
todo o nosso sonho
de perfeição.
Eles nunca passarão
Por uma simples razão
Habitam o nosso gen
Povoam nosso coração.
Índios, Índigos
Aqui lhes declaro todo o meu amor.

Ingrid Cañete