JARDIM CELESTIAL (SÉRIE NETFLIX)

Estou assistindo uma série no Netflix que tem roubado “literalmente”,  o meu coração!

No começo, até o terceiro capítulo, senti uma certa resistência em prosseguir. Depois, vencida essa hesitação,  entendi que estava muito sensibilizada por alguns desafios e dores das crianças que são as protagonistas dessa estória. Além disso, pelo fato de ser uma série coreana, as inúmeras diferenças culturais como idioma, paisagens, alimentação, valores, forma de expressar emoções entre outras precisavam ser assimiladas, por mim. Fiz a reflexão mais profunda sobre o quanto precisamos, constantemente, limpar e purificar nossos filtros perceptivos e alargar nossos horizontes. A partir do quarto capítulo fui sendo tomada por um misto de encantamento e de apaziguamento de minha alma, seja pela trilha sonora, pelas paisagens em meio a natureza de um minúsculo povoado, situado nas montanhas da Coréia do Sul ou seja pelo desempenho dos personagens que de tão puros e singelos, beiram a ingenuidade. As crianças são um espetáculo à parte começando pela narrativa, na voz de uma das meninas que já nasceu envolta em um dramático contexto humano: ela sofrera a rejeição materna e depois, a rejeição paterna mas encontrara sua “verdadeira” mãe de alma e de coração. A atuação espontânea de todas as sete crianças  demonstra tanto os dons incríveis dessas novas gerações como sua maturidade e sabedoria e confirma a presença entre nós, de espíritos antigos e   almas sábias trazendo doces, inspiradoras e emocionantes lições, a cada novo episódio.

A impressão que se tem, ao assistir, é de que adentramos um livro de fábulas ou de que estamos vivenciando um daqueles contos orientais onde a sabedoria milenar e valores desses povos e de sua ancestralidade, de visão bem mais holística e espiritual do que os  ocidentais, nos contagia e ativa em nós os arquétipos coletivos. Somos transportados a uma outra dimensão da existência, possível, imaginável e no meu sentir, imensamente desejável! Afinal, em meio ao caos necessário desse nosso período de transição planetária, encontrar um bálsamo como essa série, traz alento as nossas almas já cansadas e fatigadas de tanto observar exageros em todas as mídias, de conteúdos, vazios e de baixíssima vibração, “músicas” de ritmos e letras satânicas sendo empurrados e copiados por pais e por suas crianças de forma absolutamente cega e surda, pornografia barata e estúpida, brutalidade e violência, guerras sangrentas, criminalidade com requintes de uma crueldade surreal a tal ponto que chegam a fazer-nos duvidar da bondade, da generosidade da criatividade e da inteligência humana bem como de sua Essência Espiritual.

Chama-nos muito a atenção o papel da mãe protagonista que nos oferece um exemplo genuíno, doce, acolhedor, amoroso e sábio de uma verdadeira mãe, no sentido mais amplo e profundo, completo que o nome mais pronunciado nesse mundo, guarda em si. Não há exageros nem gritos, não há extremismos, não há autoritarismo nem aberrações na relação dela com seus filhos e com as crianças, em geral. Tampouco essa mãe mostra-se como uma super mulher ou heroína, ao contrário, ela aparece de forma muito humana. Essa mãe traz inspiração para quem já é mãe e para quem faz planos de um dia vir a ser mãe. Guardadas as devidas diferenças e proporções, em termos culturais e de contexto, creio que esse exemplo merece ser visto, sentido e refletido por todas as mulheres e mães. Eu não me refiro a estereótipos nem a padrões mais superficiais de cultura mas sim a tudo que nos é transmitido no sentido da alma, do coração, do olhar mais consciente, maduro e compassivo que uma mãe, aos poucos vai desenvolvendo, na medida em que assume sua vocação e seu papel e missão mais sagrados. Na relação dessa mãe observamos uma sabedoria simples, sem complicações nem sofisticações mas com o brilho permanente nos olhos de uma mulher que ama e respeita os valores mais elevados, respeita seus filhos, respeita, seus semelhantes e honra a vida, honra seus pais, honra os mais idosos, honra a terra e suas raízes.

Vemos outro aspecto que chama muito a minha atenção que é a forma como as pessoas se relacionam de forma sensível, delicada, respeitosa e discreta sem exposições da intimidade e sem apelações nessa direção. Não há cenas de nus nem de sexo nem mesmo beijos na boca. Todo  o afeto e o amor que existe é sentido e transmitido através dos olhares, do gestual, onde as câmeras e a direção exploram cuidadosamente, os closes nos rostos e expressões dos atores. Tudo fica mais implícito do que explícito e nos leva a imaginar, a sonhar, a nos deleitarmos com justamente, o que não é falado nem mostrado mas sugerido de forma sutil, leve como o primeiro vôo de uma borboleta…Na minha opinião, somos convidados, nessa série, a não apenas conhecer um pouco mais sobre essa cultura tão distante, ao menos geograficamente, de nós brasileiros. O convite é também no sentido de percebermos que existem outras formas de viver, de se relacionar onde os valores ancestrais são preservados e respeitados, onde as pessoas se respeitam porque aprenderam a respeitar e a honrar seus ancestrais e as pessoas com mais idade e experiência de vida. Refletir sobre o quanto a poesia, o romantismos, a criatividade pura, a conexão com a terra e com a natureza precisam ser resgatados faz parte do convite. Considero essa série uma oportunidade de experimentar, nessa viagem que ela nos proporciona, bem mais do que entretenimento. Trata-se de uma experiência transmutadora e transformadora, se você se permitir fazer essa viagem com a mente, com o coração e todos os seus sentidos bem abertos.

Quando eu terminar de assistir os 30 episódios dessa primeira temporada, voltarei a comentar mais alguns aspectos que me tocam e encantam nesse Jardim Celestial.

Por enquanto, fica o convite para que assistam sozinhos ou acompanhados de seus filhos, pois garanto que terão muito assunto para conversar com eles e eles com vocês. Será de imensa riqueza para alimentar e estimular seus diálogos e a forma de educar seus filhos, nas situações mais simples até as mais desafiadoras, da sua vida diária!

Um abraço afetuoso, desejando que busquem e encontrem cada vez mais Luz!

Ingrid