MOVIMENTO PELA PROTEÇÃO DA PRIMEIRA INFÂNCIA

A revista ISTOÉ abordou recentemente em matéria de capa o tema Crianças Estressadas e dedicou muitas páginas para alertar os adultos e a sociedade em geral, sobre o gravíssimo problema do Estresse, o qual afeta 80% das crianças que procuram atendimento profissional.

Segundo dados de pesquisa realizada pela ISMA-BR, em uma amostra de crianças nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo, oito em cada 10 crianças que são levadas para atendimento, estão estressadas! Mencionamos essa matéria pois ela tem tudo a ver com uma realidade que nós temos constatado também em nosso dia a dia de trabalho na clínica e na observação do cotidiano das crianças e de suas famílias. Além disso, essa constatação de que o mal do século, o estresse, está atacando em massa as crianças, e o que nos leva a falar no assunto é que recentemente, postamos na rede social, Facebook, comentários a respeito de um dos pecados que os pais têm cometido e que em muito contribuem para aumentar os níveis de estresse das suas crianças: os pais estão levando as crianças, inclusive bebês, para a balada, para a vida noturna em bares e restaurantes sujeitando-os a horário inapropriado, ambiente insalubre que inclui som alto, excesso de pessoas respirando o mesmo ar, energias as mais variadas, bebidas e adultos ingerindo bebida alcoólica e se intoxicando com “alimentos” do tipo que pode ser considerado “veneno” para  a saúde. Assim, os adultos estão atentando contra a saúde física, mental e espiritual das crianças e desde muito cedo dando-lhes péssimos exemplos. E, nós todos sabemos, ou deveríamos saber, que O EXEMPLO ARRASTA!!!

Ora, quanto mais jovem o indivíduo, mais fortemente ele é atacado e mais severos são os efeitos do estresse, então imaginem os bebês com toda a sua sensibilidade, seres ainda em formação sendo submetidos a todas estas condições! É verdadeiro desastre! E, do ponto de vista de quem deseja vislumbrar uma sociedade melhor, mais saudável, pacífica e evoluída para nossos netos e bisnetos podem desistir, pois o futuro está na infância, é ali que se formam as bases de uma saudável personalidade e de um bom caráter.

O estresse é uma calamidade no mundo e o problema é que o termo já foi banalizado, sendo usado no cotidiano de forma inapropriada e sem que as pessoas tenham a menor noção da gravidade do tema a que se referem quando creditam uma dor de cabeça ou mesmo uma irritação com frivolidades como sendo por causa do estresse. Pode até ser, mas o estresse é algo que vai muito mais além e pode provocar outras graves doenças e levar até a morte. Atualmente, temos mortes súbitas, inclusive de crianças e jovens, que não são creditadas mas que se devem ao estresse elevado e crônico e as suas severas consequências. Nas crianças, as pesquisas indicam que os principais causadores de estresse são alto nível de crítica e de exigência dos pais, excesso de atividades, bullying e conflitos familiares. Cabe lembrar que já na gestação as crianças sofrem os efeitos do hormônio do estresse sendo que o estresse sofrido pela mãe em particular, é absorvido diretamente pelo feto.

O estresse abre a porta do corpo e da mente do indivíduo para inúmeras doenças e como já dissemos, quanto mais cedo ele atacar mais severas e destruidoras serão as suas consequências. Então dá para imaginar a gravidade do que estão fazendo com nossas crianças?

A verdade é que os pais de hoje, estão sendo dominados pelos seus desejos e vontades, que vem do ego e não do coração, da alma, da consciência elevada.

As crianças são consideradas “apêndices” em suas vidas e no seu modo de entender, elas tem que “ se adaptar” ao modo de vida dos pais! Hahaha!!! Que imenso absurdo!

Os pais deveriam saber que escolheram, em algum nível, ter esse filho e que tornamo-nos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos, quer dizer escolhemos.

Essa verdade precisa ser encarada se quisermos começar a mudar o mundo, curar o planeta passa por curar a nós mesmos e começar a mudança dentro de nós.

Não existe outro caminho. O Estatuto da Criança e do Adolescente é bem claro quanto ao que podemos e não podemos fazer com as crianças. Caso alguém tenha dúvidas, vale  apena ler o Estatuto e passar adiante. Em pleno século XXI ainda precisamos de imensos livros com regras para orientar nosso comportamento diante de questões que deveríamos dominar e diante das quais deveríamos agir “naturalmente” com amor e com ética. Mas, não é que acontece, então vamos pelo menos ler e fazer valer, vamos aplicar o Estatuto pois sem infância saudável não há vida adulta saudável! Já pararam para pensar sobre isso?! As empresas buscam indivíduos competentes e talentosos com capacidades variadas e que saibam aplicar tais capacidades em prol de objetivos e metas das empresas. Mas, na prática, atualmente, vemos as mesmas empresas desesperadas, gastando milhões para tentar encontrar a fórmula mágica que leve seus “colaboradores” a dar o seu melhor e produzir os melhores resultados. Mas não conseguem e por quê? Somente porque não percebem que  a chave para resolver tais impedimentos está no Ser humano que habita em cada indivíduo e na capacidade deste Ser humano para relacionar-se e comunicar-se adequadamente e de forma madura. Porém, onde estão as raízes de tais condições?!

Acertou quem pensou: na Infância. Como foi a história de vida de cada Ser Humano que habita naquele colaborador? Será que ele sofreu abusos? Que traumas ele poderá ter vivido? E, será que ele teve pais presentes? Como foi que ele se desenvolveu, com diálogo e amor ou com silêncios, distância e medo? Estas e outras questões são decisivas para formar e desenvolver adultos saudáveis, equilibrados e capazes de aplicar seus melhores talentos na direção de objetivos e metas laborais e sociais.

Sem mais delongas, lanço aqui uma campanha, ou melhor, um MOVIMENTO (?) pela proteção da  primeira infância, com um olhar especial lançado aos pais que estão desrespeitando seus filhos e levando-os para a vida noturna! Está combinado?!

Um abraço afetuoso desejando-lhes um mês de abril especial e pleno de amor, fé e coragem para MUDAR!!!

Ingrid

Abril 2012