NOSSOS FILHOS, NOSSAS CRIANÇAS

Chama-nos muito a atenção algumas expressões atualmente atribuídas às crianças. São elas: “arteiro”, ”teimoso” e “terrível”.

Arteiro é um termo herdado de nossos antepassados que significa que a criança faz muitas artes. Bem, mas fazer artes deveria ter uma conotação positiva e saudável, não é mesmo? E, por que será que não tem?! Os pais referem-se assim aos filhos num tom de voz e com um olhar de crítica e de reprovação. Repetem um modelo, um padrão herdado e nem sequer questionado: é assim e pronto!

Nós dizemos: Não, seu filho não é “arteiro” ele é dotado de muitos dons, talentos, saúde, vitalidade, criatividade, curiosidade e necessidade de experimentar. Ele é pura energia e alegria de viver! Seu filho é um mestre na arte de experimentar e de descobrir! Arte essa que nós adultos esquecemos… As Crianças de Agora só precisam de nós como seus guias e facilitadores da caminhada terrestre. Elas vêm para experimentar, vivenciar e assim descobrir, aprender, formar seu ego e sua individualidade. Já que para viver na Terra é necessário ser um indivíduo e desenvolver uma personalidade.

Seu filho é um artista! Ele não é um “arteiro”. Ele está manifestando seus dons artísticos, é isso! E, deseja ser reconhecido, honrado e respeitado como um ser humano, um indivíduo que é “diferente” de você, dos avós, dos bisavós…

As crianças são artistas e vieram transformar o mundo com sua arte, vieram tocar o coração das pessoas e provocar seu despertar e o resgate da humanização em nossa sociedade. Se elas viessem iguais aos seus pais, avós e bisavós e fizessem tudo igual a eles, como poderiam promover e provocar a mudança, a transformação?!

“Ah, mas meu filho é muito “teimoso”, quando diz uma coisa quer que todos concordem e quando expõe uma ideia e argumenta não há ninguém que o faça mudar! Ele parece querer tomar o meu lugar de mãe, onde já se viu isso, doutora?!”

A resposta para tal questionamento é: não, seu filho não quer ser você nem tomar seu lugar. O que ele deseja é ser ouvido e respeitado. Ele espera que você considere de verdade o que ele está dizendo, pois provavelmente, ele está falando ou observando algo que é verdade, que tem importância e que você não percebeu, ainda. E, mais, ele quer ajudar você e facilitar as coisas para você. Mas, se você, pai ou mãe, já vem para a relação armado até os dentes, de pré-conceitos e idéias, crenças, modelos antigos e pré-fabricados, você nem lhes dá chance de serem “verdadeiramente” escutados, entendidos, considerados.

E, quanto ao seu filho ser “terrível” porque não para quieto e fica pulando de um lado para o outro, andando para lá e para cá, fazendo muitas coisas ao mesmo tempo ou conversando muito, sobre muitos temas, em sequencia. E se você o chama de “terrível” porque ele quer abrir diversos brinquedos e brincar com todos ao mesmo tempo. Ou ainda, porque ele fica lhe “infernizando” e pedindo um celular, todo o dia e toda a hora, argumentando que “precisa muito porque seus colegas todos têm”. Saiba que: seu filho não é terrível de jeito nenhum. Ele é apenas uma criança das novas gerações, que precisa muito que você o observe, estude sobre ele, escute e que o ajude a conhecer, a explorar esse mundo de forma saudável e equilibrada. Só que ele precisa poder fazer essa exploração com liberdade para ser quem ele é e, ao mesmo tempo, com uma supervisão e acompanhamento amoroso. Ele carece de sua presença! Ele precisa ser entendido em suas características que são novas para todos nós e ajudado a se perceber, a se conhecer para assim poder ser quem ele é de forma equilibrada e saudável. Só assim ele poderá desenvolver uma autoestima positiva e autoconfiança suficiente para acreditar que é capaz de realizar sua missão aqui, de forma apropriada e ser feliz.

Portanto, nem arteiro, nem teimoso, nem terrível. Seu filho é um artista talentoso que sabe muito bem o que deseja, o que veio fazer aqui e o quanto tem direito à liberdade e a ser ouvido, honrado e respeitado. Seu filho veio com atributos e características necessárias e imprescindíveis para realizar seu papel e sua missão aqui. Acredite, ame e honre seu filho, do jeito que ele é. Transmita a ele o seu melhor exemplo baseado no amor, na verdade e nos valores elevados. Atribua a ele adjetivos positivos e que elevem o seu moral, cultivando nele todo o seu potencial para amar e ser amado, para viver e deixar viver, para ser o “melhor ele” que puder ser.

Evite usar adjetivos negativos ou de conotação pejorativa e de baixa vibração com seu filho. Pois além de você estar cometendo um crime, você está cultivando uma personalidade doente, frágil e desequilibrada.

Os adjetivos negativos atribuídos e pronunciados constantemente em relação às crianças criam uma vibração negativa poderosa. Essa vibração produz medo e culpa e também raiva, frustração e ressentimento lá no fundo do coração das crianças. Tal vibração se acumula e se transforma em bloqueios energéticos tremendos, capazes  de impedir a expressão e o desenvolvimento pleno das capacidades criativa e imaginativa infantis. Tais bloqueios podem levar a tristeza profunda e a depressão.  É como se atirássemos pedras, diariamente, num telhado de cristal. E, como sabemos, cristal é substância nobre e altamente sensível, quebra e não tem como colar sem que ali se eternizem, profundas e tristes rachaduras.

Quem ama cuida, protege, respeita e incentiva. Quem ama deseja o bem maior do outro. Quem ama admira e quer ver o outro brilhar.

Ame seu filho…

Ingrid Cañete
Abril 2013