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Dica de Filme: O Garoto de bicicleta

Esse excelente filme francês, conta a incrível história de um garoto adolescente que foi abandonado por seu pai, num orfanato mas que não aceita o fato. Ele insiste em encontrar seu pai e também a sua bicicleta levada por ele. Não se tem informação nenhuma sobre a mãe do menino que mostra-se determinado e, mais do que isso, dominado pela idéia de achar seu pai e sua bicicleta.

Ele foge do orfanato algumas vezes e revela-se extremamente inteligente, criativo e hábil para sair-se das situações difíceis que cria em sua busca obstinada. Percebe-se que o filme vai num crescente, mostrando as etapas duras, sofridas e comoventes do processo desse menino, no sentido de aceitar uma realidade inaceitável: seu pai não o quer. A cada etapa, ouvimos um acorde mais forte da música que parece nos dizer, mais uma “ficha que cai” e depois mais uma “ficha caindo” e… até que o garoto dobra-se para essa realidade e aceita que a idéia de viver com o pai seja “enterrada” e decide adotar a mulher que o adotou como madrinha de fins de semana.

Vale destacar que a etapa em que um jovem delinqüente alicia o menino, é perfeita para chamar a atenção de pais e da sociedade, sobre como ao deixarmos o espaço vazio no coração e na mente de uma criança, criamos o espaço perfeito para ser ocupado pelos aliciadores de menores.

Eles conseguem, facilmente, seduzi-los e manipulá-los, mesmo quando a índole desses menores é boa. Pois o vazio deixado pela ausência e carência de pai e de mãe dói demais e clama por algum substituto que pelo menos, anestesie a dor da alma.

A questão do exemplo baseado em valores, que deveria ser oferecido pelos adultos a fim de criar uma base saudável e sólida para a formação do caráter e da personalidade de crianças e jovens, aparece em algumas situações do filme. E fica evidente que esses nem sempre estão bem resolvidos, dentro dos adultos e, por isso mesmo, o ator Thomas Doret que faz o papel do menino é sensacional, desempenha com maestria, força e sensibilidade o drama e, ao mesmo tempo, o desafio e a oportunidade vividos pelo personagem da história. A atriz Cécile de France no papel da mulher que adota o menino primeiro, nos finais de semana e depois,adota-o em definitivo, está excelente em sua atuação! Ela manifesta as diferentes nuances de encantamento, instinto maternal, medo, dúvida, insegurança e sensibilidade na medida justa para que a gente se identifique e também deseje adotar esse menino e muitos outros meninos e meninas que vivem o mesmo drama, apenas com algumas variações contextuais.

O número de crianças órfãs de pais vivos na atualidade é imensa e caracteriza uma tragédia instalada no front da sociedade dita civilizada e moderna.

Vale a pena assistir esse filme e viver verdadeiramente as reflexões que ele nos propõe bem como vale encantar-se com o cinema-arte.

Entregue-se a esse presente!

Um abraço, minha gente do Céu e da Terra e bom filme!

Ingrid Cañete