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O Pássaro solitário

O pássaro
nasceu de um rio
que era mar
Seu doce canto
saiu de pronto
a encontrar
saudades e lembranças
de outro lar

O pássaro
solitário nasceu triste
de um rio
escuro e forte
desde o leito
Um rio que
já foi mar
de se amar.

O pássaro segue
seu vôo solo
e muy aflito
pois dentro
bem lá no centro
o pássaro sente
que é hora de
navegar
as águas, desse
rio profundo
que já foi mar.

Quisera um dia
o pássaro
Saber voar
com asas
de flutuar

Sonhava ele
um dia
poder cantar
em notas
e claves de sol
a música que ele
de longe auscuta
e que lhe sussurra
que a vida
é um ir e vir
entre lá e aqui.

O pássaro
que um dia
já foi azul
viaja entre
nuvens e tempestades
transcende as dores
e a solidão
agente consciente
e lúcido
da transformação
almeja
quem sabe
um dia
sobrevoar
as águas claras
da transfiguração.

O pássaro agora é azul…
Ingrid Cañete
04/01/11