MEU DIÁRIO / POESIAS

Renascença

Vejo o que vejo
sonho o que sonho
mas não vejo
o sonho
e já não sonho
com o que vejo
o visto não
é o sonhado
a vida é tão
distante
daquele sonho alado
a vida é um misto
de ser com
tudo o que deveria ser
meu dever
é diferente
quando sento
eu não descanso
e quando penso
sem resposta
volta-me tudo
o que eu seria
o sonho
que eu poderia
ser
o sonho que eu
tanto desejei

Paro aqui
nesse intervalo
onde não durmo
nem calo
sou apenas
um murmúrio
um pingo
de gota do orvalho
e repenso, alucino
já não sou
meu próprio senhor
já não traço
a minha sina
sou poeira
mais que fina
sou criança
sou menina
subo à beira
de um abismo
me conformo
e alucino
sinto pena
e até lastimo
a quem devo
eu a vida?

A quem devo
entregar,
todo esse meu
sonhar?

Se sois sonho,
se penso,
se eu existo
e me pré-sinto

Quem sou eu
e porque estou viva?

Se meus sonhos
se esfumaçaram,
apagaram-se
com o vento
de um mundo
pré-existente?

Prá onde eu vou?
Prá onde estou indo?

Que mundo
é esse que está
surgindo?!

Quero meus sonhos
e minha visão

Quero ser dona
da minha razão

Matei no tempo
a solidão
E, agora ando
feito andorinha
anseio amigos
prá cantar
o verão

Rasgo de branco
a luz do dia
Risco de preto
a noite escura

Vôo sozinha
sou livre agora
Vejo o que sonho
sonho a visão
sou “um” com
a Terra
E, sigo no céu
a mesma luz
que levantou
o véu.

Sou o céu
na Terra
realizo o sonho
e a visão
é real.

Renasci,
Renascerei,
Renascença,

Agora sinto
a tua presença.

Ingrid Cañete
03/09/08 (noite, sem poder dormir)