VAMOS FALAR SOBRE OS ADOLESCENTES DE HOJE?

Temos falado muito  a respeito das crianças mas, quando as crianças vão crescendo surgem os nossos adolescentes. Os jovens de agora quem são e como eles estão?

O que acontece em nosso mundo atual com os jovens?! Que desafios e que perguntas nos trazem os adolescentes? Como a sociedade, os pais, a escola, os governos e os adultos em geral estão lidando com tais desafios e questões advindas destes jovens que enfrentam a selva capitalista sem estarem, na maior parte das vezes, preparados?

Se para as crianças, em geral, está faltando a base familiar de convívio e de relacionamento onde os valores fundamentais possam ser repassados bem como as histórias de família possam ser contadas e servir de inspiração e de reforço para muitos destes valores e também a para a criação dos laços afetivos profundos e duradouros, para os jovens… nem se fala! Eles estão vivendo muitas coisas sem o devido amadurecimento e sem os anteparos necessários para que não sejam atingidos em cheio pelos frequentes e absurdos bombardeios de imagens, informações, assédios impregnados de violência, sexo barato,consumo exagerado, drogas cada vez mais destrutivas. Na raiz de tudo está sem dúvida a falta de amor e a crescente e desmedida confusão da sociedade humana a respeito de quem somos, de qual é a nossa Essência, de qual é o verdadeiro sentido da vida e qual é nossa missão aqui.

O perigo está a espreita para quem não sabe quem é nem para onde vai pois qualquer direção serve!

Nossos adolescentes estão perdidos, estão mal educados, sem rumo e preguiçosos, não querem aceitar limites e não respeitam mais nada nem ninguém! Isso é o que frequentemente temos escutado de muitos adultos e pais. É o que vemos através da mídia que veicula seguidamente reportagens de jovens brigando e se engalfinhando nas salas de aula ou fora delas. Mostram-nos também jovens desacatando e agredindo, inclusive fisicamente, professores. Salientam, seguidamente, o problema chamado Bullying que acontece tanto pessoalmente como também ocorre de forma impressionante e poderosa através da internet e das redes sociais.

A situação parece fora de controle a tal ponto que muitas pessoas nos perguntam: tu achas que nosso mundo tem solução? Afinal, com os jovens agindo assim, que esperança podemos alimentar de um mundo melhor? Se deles dependeremos num futuro próximo, em que eles serão os líderes nos diferentes setores de nossa sociedade? Realmente, a situação que é mostrada pela mídia quer nos fazer acreditar que o fim está próximo, que o caos está instalado e que não temos nenhuma solução a ser vislumbrada.

No entanto, devemos lembrar primeiro, que   a mídia (leia-se sistema de comunicação a serviço do SISTEMA-MATRIX) tem alto interesse em criar mentes assustadas, temerosas e sem esperança pois tal atitude mental gera os comportamentos alienados , passivos e pessimistas que estamos vendo tomar conta da sociedade. Em segundo lugar, os jovens ao se comportarem dessa ou daquela forma estão refletindo a qualidade e condições de vida que tiveram em sua infância. Eles estão oferecendo-nos um espelho potencializado de tudo o que nós como coletivo criamos e não queremos nem ver, nem aceitar muito menos enfrentar.

A adolescência é uma etapa extremamente difícil e dolorosa de ser vivida, mesmo quando se tem uma família estruturada e saudável. Quando tal base equilibrada e saudável não existe, o que é mais frequente do que desejaríamos, é claro que tudo fica tremendamente mais grave e difícil. Entretanto, a adolescência, é também uma etapa maravilhosa vista de outro ângulo, já que é nessa fase da vida que vamos encontrar, com pureza e força total, a manifestação de nossos sonhos! É na adolescência que encontram-se os indícios de nossos maiores e melhores dons e talentos os quais possibilitarão que realizemos  a nossa missão de vida.É o entusiasmo e a crença de que tudo podemos, que faz com que os jovens saiam pelo mundo a realizar gestos de amor fraterno, justiça e cura para  a natureza e o meio ambiente! Mesmo correndo muitos riscos, eles se jogam e vão lá e fazem! Lembremos do recente incêndio na Boate Kiss de Santa Maria, onde se não fossem eles, os jovens, a adentrar o local e ajudar os bombeiros, muitos outros jovens não teriam sido salvos. Eles nem pensaram em riscos naquela hora. Eles se jogaram para fazer o que era urgente e prioritário: salvar a vida de seus semelhantes. São os jovens de agora que criam e seguem criando ferramentas e caminhos fantásticos para aproximar todos os cantos do planeta, delegando poder ao mundo e fazendo imperar a transparência, a verdade doa a quem doer, como é o caso das redes sociais. São eles que vem propagando, através de atos individuais ou coletivos, a mensagem da justiça e da igualdade pelo planeta e vem dizendo não para a corrupção e para a falsidade, dentro da família, na escola e na sociedade em geral.

Mas eles estão sendo rotulados de DDHA, de Bipolares, de loucos quando na verdade seus comportamentos denotam a loucura de uma sociedade e representam um grito de dor, a dor de não estar sendo ouvido. É a dor de não estar sendo compreendido e respeitado, tratado da maneira apropriada e digna que merecem. Eles mostram a dor de não ter recebido e continuar a não receber os exemplos, os parâmetros e os limites necessários, na hora certa. Pais que rejeitam seus filhos desde antes de nascer, que abandonam seus filhos para outros criarem ou abandonam numa lixeira. pais que não planejaram seus filhos e os tiveram como fruto de uma relação meramente física, focada no prazer pessoal, desprovida de amor e desejo de criar uma vida. Tudo isso é uma forma de vibrar e produzir energia e consciência de baixa frequência, a qual se propaga e se instala na mente das crianças e depois se fortalece, gerando formas-pensamento denegridas, escurecidas e desequilibradas. E seguir pela vida se queixando e culpando os filhos de seus atos, só fortalecera tal negatividade que se entranhará no corpo e na mente da criança que depois se tornará um jovem.

Todos em nossa sociedade ficaram chocados e atônitos com recente caso do jovem de 21 anos que matou seis pessoas, todos taxistas de profissão. Mas, se lermos somente as informações divulgadas pelos jornais, sem ir e sem precisar ir mais fundo na história deste jovem, veremos que ele foi gerado e criado sob condições e influências bem favoráveis para criar a personalidade de um psicopata.

Ele foi abandonado pela mãe ainda bebê, foi rejeitado também pelo pai e deixado para os avós criarem. Estes, provavelmente fizeram o seu melhor, mas mimaram e não ensinaram limites para essa criança que se tornou um jovem com histórico de brigas frequentes, mentiras e cujo avô, por exemplo, tirava literalmente, a roupa do corpo, para dar a ele independente das circunstâncias. Em consequência de tal histórico o jovem não formou na infância, a fundamental capacidade de sentir empatia. Tal condição é essencial para que um ser humano seja capaz de se colocar no lugar do outro e sentir o que outro sente, por exemplo. Assim, torna-se incapaz de formar vínculos afetivos profundos e verdadeiros que lhe dariam contornos de ser humano. Saibam que para desenvolver a empatia é preciso que a criança tenha pessoas que cuidem dela com amor e que sejam sempre as mesmas para que aconteça a formação de vínculos duradouros e profundos. Ela precisa receber estímulos frequentes através de exemplos e de olhar nos olhos mostrando o que é aceitável e o que não é aceitável nas relações com o seu semelhante. Mas isso faltou provavelmente a esse jovem e falta  atualmente, a muitos jovens. Neste sentido, a situação atual dos jovens em nossa sociedade é de preocupar, é muito grave mesmo.

O que me parece mais grave e urgente, neste momento, é que todos nós paremos para tomar consciência de que tipo de sociedade nós criamos?!

Sociedade, numa definição bem básica, é um coletivo composto de outros coletivos menores de indivíduos e organizado sobre valores e regras e um conjunto de valores e crenças que devem ser considerados e respeitados por todos para que esse coletivo social funcione minimamente. Então, devemos nos perguntar e ir a fundo nesta pergunta: que tipo de sociedade nós criamos para nós? Se não estamos satisfeitos, podemos começar a mudar agora, já! Mas temos que assumir para nós a responsabilidade de tudo o que está acontecendo, eu disse TUDO! Só assim poderemos começar a repensar nosso estilo de vida, nossos valores e crenças sobre o lugar e o valor do trabalho e do dinheiro em nossas vidas e em nossas relações. Só assim poderemos repensar o valor e o lugar que os filhos e a família tem em nossa vida e em nossa sociedade e o lugar que realmente devem passar a ter! Passaremos, então, a colocar os pingos nos “is” e a reorganizar o mundo capitalista do trabalho transformando-o no mínimo, em um mundo de capitalismo natural, mais humano e menos selvagem, só para começar.

Famílias que tem filhos e depois não sabem o que fazer com eles e os jogam em creches, berçários e outros lugares, o dia inteiro e que não se dão conta que ali está o seu, o nosso maior patrimônio, estão muito longe de poder desejar e alcançar uma sociedade de jovens e de adultos saudáveis e equilibrados. Estão mais longe ainda de poder pretender criar uma sociedade de líderes éticos e justos que governam com base nos valores fundamentais e com sabedoria, dando o exemplo a ser seguido por todos.

Nossos adolescentes necessitam com urgência de um olhar especial e renovado, para eles! Precisamos ouvi-los sem preconceitos, sem a energia do controle e do olhar crítico e intimidador para poder compreende-los e assim, descobrir uma maneira cheia de amor e de sabedoria para lhes transmitir seja o que for. Atenção: não diga não para seu filho se logo depois for dizer sim! Mantenha-se firme quanto a questões que são inegociáveis como valores éticos fundamentais e flexibilize quando não for este o caso, permitindo o diálogo e a negociação. Lembre-se de sua própria adolescência e resgate essa fase de sua vida para poder usar o jovem que habita em você como um colaborador na educação de seu filho adolescente. Lembre-se que aquilo que não foi bem sedimentado na infância vai lhe cobrar um preço bem mais alto agora na adolescência! Se você não esteve presente, se não dedicou amor, atenção, se não escutou, se não conheceu seu filho na infância e se não deu seu exemplo em tempo e qualidade suficientes quando ele era criança, isso vai lhe exigir bem mais na adolescência.

Temos uma população muito numerosa na Terra, agora, e precisamos entender que se para nós adultos é difícil lidar com todos os desafios deste mundo super povoado, multifacetado, e globalizado, para os jovens é infinitamente mais difícil! Então, temos de fazer diariamente opções diante da vida e das demandas que ela nos propõe: sair com uma amiga ou ficar em casa para conversar com meu filho que está angustiado com as provas escolares, por exemplo. Fazer um trabalho que trouxe para terminar em casa ou ouvir como foi o dia de meu filho e fazer uma comidinha para nós em família? Lembro aqui, de uma das histórias que escutei relativas ao incêndio na boate Kiss e que ilustram tal desafio diário dos pais com seus adolescentes. Conta-se que um pai sentiu, naquela noite, que seu filho não deveria sair e propôs: Peça o que quiser meu filho e eu farei qualquer coisa, para que tu não saias hoje a noite! O filho pediu: Pai, faz uma janta para mim? O pai fez e convidaram alguns amigos do filho para o jantar. Provavelmente, esse pai ouviu sua intuição, seguiu sua sensibilidade e se dedicou inteiramente ao filho, movido pela força de seu amor. O filho se salvou e seus amigos também. O mundo atual pede que acompanhemos muito mais de perto nosso jovens sem sufocá-los, sem desrespeitá-los em sua individualidade mas estando próximos e interessados de forma genuína, de coração e com a consciência de quem exerce uma missão sagrada. Pais e adultos precisam usar novo olhar e buscar desenvolver  novas e mais criativas estratégias para estar com seus jovens e para cativá-los. Buscar ajuda de um terapeuta muitas vezes está indicado para que os pais consigam resgatar a conexão com seus filhos adolescentes. Não hesite em procurar auxílio.

Afinal, vivemos Novos Tempos, precisamos de um Novo Olhar e de Novas estratégias de relacionamento e de comunicação.

Só o amor continua sendo o ingrediente profundamente necessário, lembrando que é o Amor Incondicional que faz imensa falta!!!

Ingrid
Maio 2013